Portal de Moura

Água Castello

Cooperativa Agricola de Moura e Barrancos

Tipi Lifestyle

Termas de Moura
29-Ago-2008


Instalações/ património construído e ambiental

O estabelecimento termal localiza-se na entrada do Jardim do Dr. Santiago, servindo de portaria a este jardim municipal. Consta de dois edifícios idênticos, com frentes em varandim corrido. Só se encontra aberto o banho do lado esquerdo, outrora destinado ao sexo feminino, com cinco quartos de banho (de belas banheiras em mármore), servindo um deles para banhos de higiene.

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O Chafariz das Três Bicas é uma bela obra barroca em mármore, coroada pelas armas de D. João V, sobre o qual se ergue a varanda do antigo palácio, actual biblioteca municipal.

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O Chafariz de Santa Comba é obra do século XIX, com duas bicas, tendo a meio da fachada de mármore a imagem da Santa.

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As zonas de captação de águas que servem estes três locais localizam-se no morro do Castelo. Em 1947 Acciaiuoli publicou o seu Relatório de Visita ao local, descrevendo a zona do castelo como ocupada pelas “construções mais modestas de Moura, aí se concentrando o bairro pobre, as barracas improvisadas entre alvenarias descompostas, as montureiras, os casebres disformes, o aspecto desolador que o ambiente de promiscuidade sempre oferece”. Actualmente o morro do Castelo é o cenário das “alvenarias descompostas” e em ruínas, isolado por vedação, e aguarda há já muito tempo uma prometida intervenção de protecção e valorização de todo o perímetro entre-muros.

O autor diz ainda que a água faz um percurso subterrâneo ascensional, aflorando na colina do castelo com uma temperatura de 22º C. Emerge na nascente de Santa Comba a uma cota de 181,1 m (a cota da torre de menagem é de 212 m), num poço rectangular de 90x90 cm com 2 m de profundidade. Acciaiuoli (ibidem) acrescenta que na antiga caleira de pedra que alimentava o chafariz tinha sido colocada um conduta de fibrocimento até às bicas, com 55 m de comprimento.

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Seguindo sempre a descrição do mesmo autor, quanto ao chafariz das Três Bicas, informa-nos serem duas nascentes: a primeira num pequeno poço circular, em pedra seca, de donde era conduzido por galeria, sendo também aqui instalada uma tubagem de fibrocimento para conduta da água; a outra nascente é uma pequena cavidade ao lado desta galeria também entubada e ligada à primeira.

No castelo as águas emergem ainda num poço encravado nas muralhas, “um tanque de água suja que dizem ser uma nascente mas que é impossível apreciar”, num outro poço com “ligação a meia altura, para uma caixa de alvenaria com cobertura abóbada”. Estavam ainda referenciados mais três poços na zona do Castelo.

Termas de Moura  Termas de Moura  Termas de Moura 

Natureza

Bicarbonatada cálcica    

Alvará de concessão

Alvará de concessão de 30 de Novembro de 1906, passado a favor da Câmara Municipal

Tem área de reserva de 50 hectares (morro do castelo) por Portaria de 1939.

Época termal

2 de Maio a 31 de Outubro

Indicações

Por ingestão e recomendada para doenças do aparelho digestivo, e litíase renal. É ainda utilizada em balneoterapia para reumatismo e gota.


Tratamentos/ caracterização de utentes

Embora o balneário sirva também para banhos de higiene, fora deste período não dá banhos de tratamento. O preço de banho de 15 minutos é de 0,75 euros

Os frequentadores são de Moura e do concelho, na sua maioria idosos. A frequência tem vindo a diminuir, e os aquistas contam-se na casa das centenas.

Historial

O chafariz monumental das Três Bicas é obra barroca em mármore branco de Estremoz, que esconde um sistema de captagem das suas águas por galerias que poderá montar ao período islâmico.
Na “Colecção de Quesitos aos Párocos” (1758) do Marquês de Pombal, o pároco de Moura menciona as águas da vila como muito boas, com propriedades “digestivas”.

Em 1849, foram analisadas as águas de Moura pelo Visconde de Vila Maior, a pedido de ilustres personagens, entre eles o Duque de Palmela que sentiu melhoras do seus padecimentos digestivos e dos rins (cit. Acciaiuoli 1944, II: 146).
É a partir desta análise das águas do Castelo de Moura que as suas qualidades terapêuticas começam a ser conhecidas para males do aparelho digestivo, diabetes, gota e litíase, começando o seu engarrafamento e comercialização nos primeiros anos da segunda metade do século XIX. Em 1858, um decreto determinava o preço da venda desta água nas Boticas de 106 réis por libra.

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Em 1861 o médico militar Sequeira procedeu a novas análises, comparando-as com as de Vichy. Nova análises de Beirão em 1867 vêm confirmar a presença de carbonato de lítio, agente activo sobre as pedras dos rins.

Em 1881 a Câmara Municipal manda construir um barracão com seis tinas, e nesse mesmo ano as garrafas de Água do Castelo passam a ser seladas por um selo de autenticidade emitido pelo município. Nesse mesmo ano foi publicado um estudo sobre os sais das águas de Moura, de Raposo (1881), sendo mesmo formada uma empresa para extracção desses sais para venda posterior em farmácias. Esta empresa terá tido uma curta duração, pois no Relatório de Sarzedas (1907: 85), podemos ler que “esta laboração, porém, continua interrompida, e creio que por completo abandonada.”

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Lopes (1892) diz sobre esta águas que "não se atribuía até há 43 anos, as menores virtudes terapêuticas. Notando-se […] a estrema raridade de doenças das vias digestivas e urinárias dos habitantes de Moura […] começou-se a presumir da sua acção curativa naquelas enfermidades.”

Em 1899 realizou-se um contrato de arrendamento com a empresa Assis & Cª, com cláusulas que obrigavam à construção de um balneário e um hotel. O balneário deveria ter pelo menos quatro banheiras de 1.ª Classe e seis de 2.ª Classe, convertendo-se o velho barracão que servia de balneário em banho para indigentes.

Em 1901 o estabelecimento termal entrava em funcionamento, com novas captagens de água analisadas por Ferreira da Silva. Dois anos depois era o hotel, uma requintada construção ao gosto dos bons hotéis termais então em voga e que conserva ainda hoje o seu encanto de “fin de siècle”.

A planta dos balneários da época (Silva 1903) conserva-se sem grandes alterações. A ausência de um espaço dedicado a gabinete médico, tal como uma área administrativa do balneário, deve-se ao facto de estes serviços estarem então sedeados no edifício do hotel. Como se depreende pela leitura do Art. 2.º dos “Regulamentos” (Silva, 1903), ”O bilhete de matrícula será requisitado no Hotel da empresa e as indicações de tratamento preenchidas pelos médicos encarregados da direcção do serviço clínico das águas da nascente e do Estabelecimento termal”.

O Alvará de concessão foi passado a 30 de Novembro de 1906 a favor da Câmara Municipal, mas ressalvando-se o contrato de arrendamento com a empresa Assis & Cª - Empresa de Águas de Moura Lda.
Sarzedas classificava em 1907 este balneário como mais “balneário higiénico do que uma instalação hidromedicinal ”, classificação ainda válida em 2003, embora só uma das banheiras seja actualmente destinadas a banhos de higiene. Mas o médico inspector comentou sobre o assunto: “Mas nem por isso deixa de prestar à população os mais assinalados serviços. Assim o benefício houvesse de difundir-se por todas as vilas e cidades do país.”

O realce do Relatório de Inspecção de Sarzedas (1907: 85) foi para a oficina de engarrafamento: “A companhia exploradora destas águas faz a colheita delas num reservatório de magnífica instalação no Castelo da Vila. Desse reservatório passam canalizadas, a um pavimento inferior onde são recebidas numa grande «cuvete» de cristal, hermeticamente fechada, de onde saem para o engarrafamento, por uma torneira que não deixa perder o acido carbónico que contêm. O engarrafamento faz-se com a água tal como sai da origem, para os fins terapêuticos; e com adicionamento de acido carbónico, por uma aparelho gasógeneo, para ser utilizada como água de mesa.” Esta oficina de engarrafamento pertencia a Assis & Cª - Empresa de Águas de Moura Lda.. Em 1906 esta empresa inicia também a exploração da nascente de água de Pisões, a 2 km da vila, vindo a mostrar um crescente interesse na comercialização destas águas e tornando secundárias as nascentes da vila.

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Em 1937 terminou o contrato de arrendamento e a Câmara Municipal toma posse do estabelecimento termal e do de engarrafamento, ficando a Empresa de Águas de Moura proprietária do hotel e concessionária do alvará de exploração das águas de Pisões.

Em 1947 Acciaiuoli publica o relatório da sua visita a Santa Comba e Três Bicas. Depois de uma descrição dos vários pontos de emergência das águas, faz várias recomendações, a nível de impermeabilização dos solos, drenagem de águas pluviais entre outras, e assinala que a ocupação do morro do Castelo pelo bairro mais pobre de Moura não é a situação ideal para o perímetro de protecção que o castelo define. O bairro desapareceu, mas toda a zona do castelo ainda espera actualmente a intervenção urbano/paisagística há muito prometida.

De 1944 a 82 dava assistência às termas um médico, como testemunha a placa existente no estabelecimento: “Homenagem do povo de Moura ao Dr. Domingos Janeirinho, que de 15-8-44 a 20-5-82 dedicou com carinho, 38 anos da sua vida como distinto clínico destas Termas – Moura, 20 de Maio de 1982 – Câmara Municipal de Moura”.
Depois desta data a câmara só mantêm uma funcionária, encarregue da vigilância e limpeza dos banhos.

Recentemente foi constituído um grupo de trabalho a nível camarário, para estudar as hipóteses da criação de um novo estabelecimento termal, provavelmente no antigo Convento do Carmo.

Localização

As duas fontes (Três Bicas e Santa Comba), assim como o estabelecimento termal, localizam-se no centro de Moura, formando uma simpática avenida no que foi outrora um caminho de ronda das muralhas da antiga vila fortificada.  

Província hidromineral
A / Bacia hidrográfica do Rio Guadiana

Zona geológica
Zona de Ossa-Morena

Fundo geológico (factor geo.)
Argilas, margas, calcários conglomerados.

Dureza águas subterrâneas
200 a 300 CaCO3 mg/l

Concessionária
Câmara Municipal de Moura

 

 
             
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